Jim Morrison e outras Rockestórias



02/10/2006 02:13

Entrevistas de Jim Morrison

Entrevista a John Carpenter
do Los Angeles Free Press(1968)


John Carpenter - De onde saiu aquela capa do Strange Days?

Jim Morrison - Detestei a capa de nosso primeiro LP. Então falei: "Não quero sair na capa do próximo. Qual o problema? Coloquem nela uma galinha ou qualquer outra coisa, um dente de leão ou um desenho qualquer". Quando o título - Strange Days - surgiu, todos começaram a comentar, que por causa desses dias estranhos é que tínhamos chegado onde estávamos. Essa era a verdade. Originalmente, eu queria todo o grupo cercado por trinta cães, mas a idéia foi impraticável. Todos perguntaram: "Por que quer os cães?". Respondi que se tratava de uma metáfora, pois a palavra cão(dog) é o reverso da de Deus(God). ( Risos). Finalmente, levamos o problema ao diretor de arte e ao fotógrafo. Precisávamos de monstros autênticos, e os encontramos num bizarro parque de diversões, numa performance de um show burlesco. Parecia algo europeu, e bem melhor que nossas caras de merda!

John Carpenter - Vocês tocam apenas nos fins de semana?

Jim Morrison - Não, trabalhamos direto. Muito mais do que todos pensam. Após o Bowl vamos ao Texas, Vancouver, Seattle, Costa Leste, Montreal etc...Após as três primeiras semanas de agosto, que passaremos filmando, iremos para a Europa. É um trabalho e tanto!

John Carpenter - Você continua lendo muito?

Jim Morrison - Não como antes. Deixei de ser também um escritor prolífico. Quando, algum tempo atrás, morava numa construção abandonada, dormindo no forro, joguei fora meu caderno de anotações que tinha desde os tempos da High School e muitos versos se foram. A maior parte deles era sobre a Lua, mas não me recordo bem. Tento colocar as palavras de forma que segurem a melodia. A maior parte das pessoas não sabe, mas componho as melodias muito depois, e as palavras que não se encaixam são abandonadas(digo: "Por que não consegui?") e se vão, permanecendo delas apenas uma vaga idéia. Nessa época, quando escutava uma melodia, era como uma performance total, única. A canção fundia-se ao público, aos músicos e ao cantor. Tudo. Era como a previsão do futuro. Estava tudo lá.





Entrevista a Mike Grant - "Rave" - (1968)

Mike Grant - O que achou do público londrino do Roundhouse?

Jim - Um dos melhores que encontramos. Nos estimularam e fomos até as raízes. Tudo que posso dizer é isso: foram fantásticos! Gostei mais desse concerto que dos outros que há anos fazemos.

Mike - Qual é a importância do sexo em suas performances nos concertos?

Jim - O sexo é apenas uma parte de minha performance. Existem milhares de outros fatores. É decerto importante, mas não creio que seja a coisa principal. Evidentemente é uma das bases naturais da música. Não pode ser separado.

Mike - Qual a importância da política em suas letras?

Jim - Não creio que a política seja um tema de peso em minhas canções. Apenas aparece prioritariamente em algumas delas, mas como um tema de menor destaque. Política é a interação entre as pessoas e, realmente, não podemos separá-la de nada.

Mike - Recebeu alguma influência dos pioneiros do rock: Little Richard, Jerry Lee Lewis, Fats Domino, Gene Vincent e Elvis Presley?

Jim - Recebi evidentemente uma influência, porque os ouvia o tempo todo na minha infância.

Mike - Existe alguma coisa em comum entre você e Mick Jagger?

Jim - Geralmente, as comparações são sempre lamentáveis.( Após longa pausa e com os olhos fechados, comentou) O que você acha?

Mike - Mas não pode mesmo me dizer?

Jim - Esta é uma questão retórica que merece uma resposta retórica. Prefiro que me pergunte se observei bem minha palma esquerda.

Mike - Os admiradores dos Doors costumam procurá-lo para tentar receber alguma orientação de vida?

Jim - Recebo cartas realmente incríveis. Mas com elas aprendo mais como viver do que poderia tentar ensinar. Nossos fãs são sensíveis e muito inteligentes.

Mike - Pode me descrever suas performances no palco? Seriam elas inspiradas por uma força demoníaca?

Jim - Prefiro a expressão "força primal". No início de minha carreira, eu era menos teatral, menos artificial. Mas agora as platéias cresceram muito, e no momento em que me torno um minúsculo ponto no centro de um estádio, tenho de maquiar para suprir esta falta de intimidade com o público.

enviada por Nicinha






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